Fui batizado em 1983 na Igreja de São João Batista e Nossa Senhora das Graças, no Rio de Janeiro. Mesmo assim, nunca a devoção à Medalha Milagrosa de Nossa Senhora das Graças havia surgido na minha vida. Eu sequer conhecia a história.
Já com 40 anos de idade, o Rosário da Virgem Maria iniciou a preparação do meu coração para esta devoção. Assisti alguns vídeos sobre o assunto e um dia resolvi comprar uma medalha milagrosa no Cantinho da Paz, loja de artigos católicos do meu bairro.
A medalha que eu tinha comprado era pequena, discreta. Coloquei na mochila e não usei. Algo dentro de mim dizia que aquela não era a medalha que me acompanharia ao longo da vida. Voltei a loja e comprei outra medalha, o maior modelo que existia. Mais uma vez, escondi a medalha, coloquei no bolso e saí da loja.
Na rua, passei por uma mulher empurrando uma cadeira de rodas com uma menina com deficiência. As calçadas de Alcântara são péssimas, a mulher fazia um esforço enorme para superar os buracos e conseguir avançar. Magra, ela levantava uma roda de cada vez, dando passos ao invés de deslizar, suportando o peso da menina e da cadeira.
A luta das duas me chamou a atenção. No pescoço, a mulher usava, com orgulho, uma medalha milagrosa de Nossa Senhora das Graças. Com o esforço, a medalha balançava pra frente no pescoço dela. E quando balançava, diante do peito da senhora, era Maria quem passava na frente e abria o caminho delas. Na hora eu disse pra mim mesmo.
– Esta família não tem vergonha de assumir, para o mundo inteiro, que precisa de Nossa Senhora. Eu também não terei vergonha.
Tirei minha medalha do bolso, coloquei no pescoço e nunca mais a escondi.


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