Deus nasce na humildade da Sagrada Família

Acabei de meditar os mistérios gozosos. No terceiro mistério, que é sobre o nascimento de Jesus, ao iniciá-lo senti um peso grande na alma. O peso da humildade da Sagrada Família, o peso das provações que Deus impôs a Jesus, Maria e José. Que família sofreu mais do que esta, que nas suas peregrinações enfrentou cansaço, fome, sede, frio, injustiça, traição, violência e assassinato, mesmo sendo santa e justa? Muitas famílias enfrentam dores terríveis e ao lado delas, sofrendo também, caminham Jesus, Maria e José.

Não havia lugar para eles no mundo, embora eles reinassem no mundo. Não havia lugar para eles na hospedaria e ninguém, por amor e respeito, ou sabendo que o Salvador do mundo estava para nascer, correu até eles para oferecer abrigo. Sequer ofereceram um sorriso. Para mostrar que é Deus e dono de tudo que existirá, Ele resolve abrir mão do mundo. Deus não exige o que lhe pertence. Esta é a forma perfeita de amar.

Ao percebir em mim uma mínima parte do peso da humildade da Sagrada Família, não pensei em mais nada. Nenhuma distração foi capaz de interromper meu terço. Eu não podia suportar a menor noção do sofrimento silencioso daquelas três pessoas que padeciam sem reclamar. Se Maria ou José tivessem pedido, Deus teria dado conforto imediato. À oração de Maria, Deus entregou mais do que uma cama agradável, Deus entregou a si mesmo. Mas o casal decide enfrentar o desconhecido, como Jesus também não afasta o cálice da sua Paixão e encara seus carrascos.

No íntimo, disse a Deus que não queria mais o sentimento da união das humildades de Jesus, Maria e José. Não sou capaz de compreender nem mesmo a humildade individual de cada um, muito menos a dos três juntos. O que senti já era suficiente pra minha vida inteira.

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