As pessoas que rezam o Terço meditam o mistério da Coroação de Nossa Senhora duas vezes por semana, às quartas-feiras e domingos. Neste momento, sempre imaginei o brilho do céu com a presença de todos os anjos e santos e um anjo – o mais belo, com mais amor a Nossa Senhora – especialmente escolhido e vestido com honras e glórias para colocar a coroa sobre a cabeça de Maria Santíssima. Descobri há pouco tempo que sempre foi uma visão limitada da minha parte: Deus envolvia o ambiente, mas não aparecia nele.
Não apenas um anjo, mas a hierarquia angelical completa se curva para coroar a Virgem. Toda a corte celeste participa ativamente da coroação, e isto não é tudo. As mãos mais gloriosas amparando a coroa de Maria não são de anjos nem santos. O primeiro par de mãos segurando o topo da coroa pertence a Deus Pai. Ele é o Criador. Segurando as bordas, de um lado temos as mãos de Jesus Cristo, filho de Maria, feliz por contar com sua mãe. Do outro, sustentando o conjunto com o máximo de suavidade e amor, o sopro do Espírito Santo. É assim que acontece a coroação da Mãe, cuja coroa sustenta doze estrelas (Apocalipse 12, 1).
Vale lembrar que honra maior do que sua coroa é Maria dizer “sim” a Deus. A própria Virgem Maria coroa no céu seus filhos que rezam com ela com o intuito de cumprir a vontade do Pai.
Ontem, na minha paróquia, coroamos a imagem de Nossa Senhora do Sagrado Coração. Uma jovem perto de mim chorava de emoção. A alegria que sentimos ao coroar Maria vem da alegria que ela sente por nós ao reconhecermos a misericórdia da Santíssima Trindade. A escolha de Maria como rainha do céu e da terra é mais um ato da infinita misericórdia divina. Com ela, o pecador que veemente rejeita Jesus Cristo e não enxerga mais a luz pelo menos vê na escuridão o reflexo da graça de Deus em Maria e começa a ser atraído à esperança, diz Santo Afonso de Ligório.


Deixe um comentário