Quero ser coisa, propriedade e até chiclete de Nossa Senhora

Coisa, no sentido jurídico, significa “tudo aquilo que pode ser utilizado e constituir objeto de direito”. Já entre as definições de propriedade encontramos “a coisa possuída”. Os termos se completam na letra original que tantos decidem evitar. Uma mãe jamais deprecia seus filhos.

Por outro lado, um filho ciente de seus erros reduz o próprio valor diante da mãe. “Já não mereço chamar-me teu filho”, diz no retorno ao pai aquele que jogou fora sua parte da herança (Lucas 15,21). Por isso imploro à Virgem Maria que me aceite da forma como ela quiser. Monstro, “criatura ingrata e infiel, vermezinho e miserável pecador”, entre aqueles que mais precisam de socorro, nas palavras de São Luís Maria Grignion de Montfort no Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem.

Se a Mãe de Deus, a Mulher da Criação ao Fim dos Tempos, a mais pura, doce e humilde que existirá, por um breve instante me concedesse a honra de servi-la como o menor dos instrumentos, não seria motivo de alegria eterna para mim?

Os pés da Virgem não tocam o chão que eu piso porque ela é santa. Caso fosse possível, e qualquer sujeira grudasse na sola da sua sandália, e o lixo resolvesse trocar de lugar comigo, imediatamente eu aceitaria em prantos de felicidade. Depois de um passo, se a escrava perfeita do Senhor retirasse a sujeira, ou jogasse a sandália fora junto comigo, eu morreria de júbilo. Você não?

A dignidade humana enquanto filhos da Imaculada foi estabelecida pelo sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo na Santa Cruz (João 19,26). Todo esforço com o intuito de preservar esta dignidade, que não seja para se afastar do pecado, é inútil.

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