Perdido, eu precisava de Deus, mais do que tudo, sem admitir minha necessidade, por isso ela nunca era satisfeita. Eu não sabia como procurar o Senhor, sequer compreendia que sem Ele não posso viver. Eu andava no escuro.
Entre mim e Jesus não havia diálogo. Eu virava as costas para ele. A tristeza de Jesus por causa do meu desprezo era imensa, posso senti-la neste instante. É a dor que sentiríamos amando alguém ao extremo, enfrentando das humilhações verbais aos pregos na Cruz por amor, e sendo rejeitados e desprezados pela pessoa amada. Eu não aceitava o abraço de Jesus porque havia construído uma barreira de pecados entre nós, bloqueio que eu amava mais do que a presença de Cristo na minha vida.
De perto a Virgem Maria acompanhava toda a situação, desde minha concepção no ventre da minha mãe. Com muito pesar e compaixão, Maria testemunhou a troca da minha inocência infantil pelo ódio contra a religião e toda ordem do mundo. Eu queria o caos completo, a reconstrução da sociedade universal a partir da guerra, da tragédia, do choro. E eu adoraria contribuir com essa destruição. Quando sangue suficiente, de apenas um Homem, já foi derramado para reerguer o mundo através do amor!
Por determinação de Deus, Maria frequentava os lugares imundos que eu frequentava, Maria testemunhava as coisas horríveis que eu fazia e lutava contra o demônio por mim e pelas pessoas ao meu lado. Tudo o que a Virgem Maria faz por mim, ela também faz por você.
Como Deus nos criou livres, Ele jamais me obrigou a deixar a vida que eu tinha escolhido. Ao mesmo tempo, Maria Santíssima jamais deixou de estender sua mão para mim. Até que um dia eu disse um pequeno “sim”. Maria logo transformou minha humilde resposta num processo de conversão que até hoje tem consequências sobre mim e minha família inteira. A Santíssima Trindade queria meu coração ardentemente. No entanto, coube à escrava do Senhor mergulhar na noite escura e me arrastar de lá.


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