“A seguir os levou a Betânia e, erguendo as mãos, os abençoou.
E enquanto os abençoava, separou-se deles e era levado ao céu”, Lucas 24, 50-51.
Vamos parar e pensar um pouco. Jesus retorna ao Pai com as duas mãos erguidas, abençoando os discípulos. Ele transforma a despedida em benção, seu último ato na terra enquanto ser humano. Depois de tudo o que sofreu, antes mesmo da Paixão, com o coração já cheio de saudade, a última vontade de Jesus é nos abençoar comunicando a graça do Pai ao mundo.
A última imagem de si próprio ficaria gravada no espírito ainda temeroso dos discípulos. Jesus sabia da importância do momento. Uma última lição ainda podia ser deixada. Havia pouquíssimo tempo para uma derradeira obra de amor. Jesus ergue as mãos e abençoa.
O homem atacado por quem amava, que acumulou ofensas, acusações, rejeição e desconfiança até de pessoas da sua própria terra, não guardou sequer um olhar maldoso na memória do rancor. Absolutamente tudo perdoou, até mesmo as más intenções nos corações que ninguém mais, além Dele, tomou conhecimento.
Jesus não dá “lição de moral” ao subir ao céu. Jesus não aconselha. Não fecha a cara e olha com superioridade para quem fica, esperando ser adorado. Jesus faz o máximo ao seu alcance para permanecer conosco e permanece, ao deixar sua benção.
Após a angústia suprema no Jardim das Oliveiras, tapas na cara, socos no rosto e na boca do estômago, pauladas nas pernas, nas costas, nos braços, no corpo inteiro; depois das chicotadas com navalhas, da dolorosa coroação de espinhos, do peso destruidor da cruz sobre os ombros, da dor lancinante dos pregos entrando nas mãos e nos pés e da morte desonrosa sobre o Calvário, Jesus ressuscita e abençoa. Jamais ninguém será capaz de tanta abnegação porque só Ele é Deus.


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