Quando encontrarmos a Mãe de Deus no céu, imediatamente conheceremos sua doçura incomparável. Será o abandono de qualquer medo, sofrimento ou desespero futuro. Antes do encontro haverá uma breve expectativa. No infinito do Céu, nos quatro cantos que o envolvem, veremos a límpida luz da aurora que descreve o capítulo 6, versículo 10, do Cântico dos Cânticos.
Saber que algo grandioso vem despertará um profundo desejo de fazer parte dele, mas seremos incapazes de nos mover. Nossa única inquietação, sem temor algum, será a limitação ao testemunho. Assim que a luz predominar onde quer que procuremos outro sinal, veremos que ela se espalhou primeiro sobre tudo o que vive na Terra, e aquilo que é inanimado e invisível também não escapou dela. Nosso íntimo compreenderá, de forma inédita, que tal certeza vem da Glória do Senhor. Uma das primeiras delícias da misericórdia divina no Paraíso, observar que o amor da Mãe protege a todos que deixamos.
A seguir teremos Maria Santíssima, assunta ao Céu de corpo e alma, ainda um ponto distante. Como se o sol a seguisse preso em seu manto, antes da Virgem veremos o brilho da Estrela do Mar atravessar o chão que pisamos e todo ele se tornar luz. Não veremos mais nossos pés, tão espesso o brilho. Ele teve início diante de nós e se espalhou até o fim do mundo. A sensação será de estar de pé no meio do oceano, cercado de graças.
Nosso coração não suportaria tanto acolhimento em outro lugar. A Virgem dará mais alguns passos e sua luz não caberá mais na plenitude, então subirá ao encontro do Trono do Senhor, cobrindo nossa cabeça. Nenhuma outra cor veremos, além de luz. Finalmente na direção de onde ela vem perceberemos que a Imaculada não estará só. Pronta para ser enviada a qualquer missão, a incontável Legião dos Anjos de Maria Santíssima a acompanha do lado esquerdo, do direito e voando sobre a Virgem ao centro. Nada mais existe no espaço, além deles. Eles tocam o princípio e o fim que os olhos podem alcançar.
Veremos que a Virgem não caminha, ela é sustentada e conduzida pela face superior da lua, aos seus pés. Não veremos a parte inferior, mas será claro que ela esmaga aquilo que um dia nos trouxe angústia. Todo mal estará humilhado no abismo que sequer ameaça o calcanhar da Virgem Maria. Com sua aproximação, a luz se encolherá totalmente, como coadjuvante. A Imaculada é a verdadeira luz. Bem a nossa frente os anjos começarão a cantar “Ave, cheia de graça”, em honra a ela e a Deus, que a concebeu. Os olhos da Virgem tocarão os nossos. Ela dirá, parecendo que os anjos e o céu inteiro repetem.
– Minha filha.
– Meu filho.
No princípio do som, nossos joelhos já terão tocado o chão. A força dos seus cabelos negros será a última coisa que teremos coragem de testemunhar, tão intenso será o amor de Deus.


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