Vi a mão da Virgem

Vi a mão da Virgem, segurava o Menino Jesus. Dedos abertos, esticados, para apoiá-lo melhor. Medo algum ele tinha, sorria. Já a Virgem pedia ao mundo que tomasse seu Filho nos braços. Implorava com olhos ansiosos e, principalmente, com a generosidade das mãos. Nada pode superar a angústia daquela expressão que tanto queria entregar o Amor.

A mão da Virgem tinha a pureza de todas as mães. Era a origem do carinho materno, e também seu último destino. A maciez que sua pele transbordava expunha ainda as ausências do seu corpo santo, sendo a ausência de pecado a principal. Ferramenta de Deus, a mão evidenciava a capacidade da Virgem de realizar o impossível aos homens.

Pura esperança, que confiança despertava. Como se a mão de uma mulher guardasse em sua simples natureza o conforto do pior desespero. Na sua forma, no seu gesto humilde, humilhado, contido em si e no cosmo, o sol da vida em pessoa. A mão da Virgem é visão eterna que guardo no peito e vou lembrar primeiro.

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